Numa revelação que expõe um caminho alternativo que a MotoGP quase trilhou, o diretor técnico da Ducati, Gigi Dall'Igna, confirmou que a fábrica italiana defendeu inicialmente a adoção de motocicletas híbridas para o novo ciclo de regulamentações que entra em vigor em 2027. Antes de as regras finais definirem motores de combustão interna de 850cc combinados com pneus Pirelli, a Ducati chegou a imaginar um cenário em que um pequeno motor elétrico trabalharia junto ao motor a gasolina nas motos do grid.
Dall'Igna não escondeu o incômodo com o atraso tecnológico da categoria em comparação a outras frentes do motorsport de elite. É uma reflexão que, de certa forma, dialoga com a velocidade com que outros setores do entretenimento e da competição têm se transformado - algo perceptível até em plataformas de entretenimento digital, como o jogo 21, que também acompanham tendências de inovação em seus formatos. "Honestamente, gostaria de ter um pequeno motor elétrico na moto de 2027. Inicialmente, defendi este tipo de hibridação", afirmou o engenheiro, lembrando que a Fórmula 1 já opera com unidades de potência híbridas desde 2014 e que as 24 Horas de Le Mans utilizam tecnologia similar desde 2012. jogo 21
Uma ambição nascida na MotoE
O interesse da Ducati por soluções elétricas não surgiu do nada. A marca foi fornecedora exclusiva da Copa do Mundo MotoE, categoria elétrica que acabou descontinuada, mas que deixou um legado técnico relevante dentro da fábrica de Bolonha. "Demos um grande passo em frente com esta tecnologia quando começámos a trabalhar na MotoE. Colaborámos para construir uma máquina adequada, e se algum dia tivermos de produzir uma moto elétrica ou componentes - não necessariamente uma moto elétrica completa - agora sabemos o que fazer", explicou Dall'Igna, reconhecendo também os obstáculos financeiros envolvidos: "Do ponto de vista financeiro, é certamente bastante difícil, mas há lições a serem aprendidas. A criatividade torna-se essencial com tais soluções."
Plano suspenso, não descartado
Apesar do entusiasmo inicial, a Ducati recuou da ideia de eletrificação imediata. Segundo Dall'Igna, a maturidade tecnológica ainda não permite viabilizar uma moto elétrica competitiva no curto prazo. "Neste momento, a tecnologia não está madura o suficiente para produzir uma moto elétrica, por isso não planeamos trabalhar nisso nos próximos anos", disse ele, deixando, porém, a porta entreaberta: "Nunca se sabe o que o futuro nos reserva, e devemos estar preparados."
O que isso significaria para a MotoGP
Caso tivesse avançado, a proposta híbrida da Ducati representaria a mudança mais significativa já vista na categoria rainha do motociclismo, rompendo com décadas de tradição ligada exclusivamente à combustão. As implicações seriam profundas - desde os custos de desenvolvimento até o equilíbrio competitivo entre fabricantes com diferentes capacidades de investimento em novas tecnologias.
Por ora, a MotoGP segue seu caminho consolidado rumo a 2027 com motores menores e pneus revisados, sem espaço para eletrificação parcial. Mas a fala de Dall'Igna reacende um debate que dificilmente desaparecerá: até quando o motociclismo de elite poderá adiar a conversa sobre hibridização que já remodelou outras categorias do automobilismo mundial.